Cresce a oferta de produtos financeiros 'verdes'

Rodrigo Martins

04 Novembro 2009 | 19h13

A oferta de produtos financeiros vinculados à sustentabilidade vem crescendo no mercado brasileiro. Além de fundos de investimentos atrelados a índices de empresas com bom desempenho socioambiental, que já chegaram a movimentar R$ 2 bilhões em ativos antes da crise, estão surgindo produtos vinculados ao mercado de créditos de carbono e também plataformas eletrônicas para se averiguar a conformidade das empresas com as leis ambientais.

Este é o caso do produto lançado na semana passada pela empresa de informações financeiras Serasa Experian, batizado de Conformidade Ambiental. Por meio da tecnologia, bancos e outras empresas poderão avaliar o cumprimento das leis ambientais por parte de 1,7 milhão de companhias de setores considerados de alto impacto ambiental e também de produtores rurais. A base de dados serão as informações prestadas por órgãos ambientais em todo o País. “Será uma ferramenta para que os bancos não financiem projetos predatórios. Também ajudará nos processos de compras e licitações com base em critérios de sustentabilidade”, explica o Laércio de Oliveira, presidente da Unidade de Negócios Pessoa Jurídica da Serasa Experian.

Carbono

A pouco mais de um mês para a Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP 15) em Copenhague, que deverá definir o papel dos países e dos mercados no combate às mudanças climáticas, os bancos também aproveitam o momento para lançar mais produtos financeiros ligados ao mercado de créditos de carbono. Entre eles o Fundo Itaú Índice de Carbono, do Itaú Unibanco, voltado a grandes investidores, com aplicações a partir de R$ 300 mil. O rendimento do fundo terá como base a variação do Barclays Capital Global Carbon Index (BGCI), indicador que monitora o desempenho do mercado de carbono. A expectativa do banco é captar até R$ 300 milhões com o novo produto.

Já o Santander/Real mira as empresas interessadas em implementar projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), como captura de gases causadores do efeito estufa em aterros sanitários ou troca de combustíveis em indústrias. Lançou uma linha de crédito de 50 milhões disponível até 2012, quando termina o prazo de vigência do Protocolo de Kyoto, acordo global do clima que criou o mercado de créditos de carbono. De acordo com Maurik Jehe, superintendente da área de créditos de carbono do Santander, as empresas que têm a intenção de vender créditos no mercado internacional podem antecipar o valor desses créditos, o que até então não era comum nesse mercado.

Jehe explica que o mercado de carbono voltou a se aquecer após sofrer um revés com a crise – a tonelada de carbono está sendo negociada em torno de 10 euros. “A tendência, após Copenhague, é que as regras para emissão de poluentes fiquem ainda mais rígidas para os países ricos, então o mercado de carbono tem boas perspectivas no longo prazo.”

O lançamento de novos produtos “verdes” mostra abertura das empresas para a questão, na avaliação de Roland Widmer, coordenador de “ecofinanças” da organização Amigos da Terra. Ele ressalta que os bancos devem ficar mais atentos aos reais impactos socioambientais de suas operações. “Não basta só lançar produtos com foco em sustentabilidade e continuar financiando empreendimentos de alto impacto social e ambiental, como as grandes hidrelétricas na Amazônia.”