Crédito para grandes projetos, só com garantias 'verdes'

Rodrigo Martins

23 Julho 2008 | 17h07

O financiamento de grandes projetos industriais e de infra-estrutura hoje já esbarra no cumprimento de exigências sociais e ambientais, conforme matéria que publicamos hoje. O movimento não é novo – no início da década, um grupo de ONGs passou a monitorar o sistema financeiro e cobrar dos bancos que deixassem de dar crédito a empreendimentos muito poluidores e de grande impacto social.

Desse movimento nasceram os chamados princípios do Equador, em 2003. É um conjunto de diretrizes socioambientais que os bancos devem seguir, voluntariamente, no financiamento de projetos acima de US$ 50 milhões. Em 2006, uma revisão dos princípios baixou esse teto para US$ 10 milhões. Entram aí grandes projetos de hidrelétricas, estradas, empreendimentos de mineração, entre outros.

Entrevistei esta semana o americano Shawn Miller, que trabalhava no Banco Mundial e fez parte da equipe que construiu os princípios. Hoje ele é o executivo global que cuida da análise de risco socioambiental no Citibank, e fez elogios ao Brasil nessa questão. Segundo ele, entre os chamados emergentes, o País está bastante avançado: sete bancos aderiram voluntariamente aos princípios. No ano passado, o volume de recursos aprovados para financiar esses projetos ultrapassou R$ 20 bilhões.

No mundo todo, são 61 bancos signatários dos princípios. Dos bancos que aderiram às diretrizes no País – Banco do Brasil, Bradesco, Banco Real, Itaú, Unibanco, HSBC e Citibank – apenas um é público, o BB.

Agronegócio sustentável
Outro signatário dos princípios, o holandês Rabobank, colocou o foco no agronegócio, pois é grande financiador da agroindústria. A subsidiária brasileira criou um manual de sustentabilidade para os tomadores de crédito, iniciativa que deve ser adotada pela matriz. O banco tem R$ 988 milhões disponíveis para financiar o agronegócio sustentável. A idéia é influenciar a cadeia produtiva de alimentos como um todo.

Como grande parte dos empreendimentos no País tem financiamentos do BNDES, há tempos se espera uma adesão do banco público aos princípios. Seria uma forma de garantir que projetos de menor porte também passem a ter um crivo socioambiental mais eficaz.