Coma mais peixe. Mas peixe 'sustentável'

Rodrigo Martins

07 Janeiro 2009 | 21h27


Salmão, em foto de Murdo Macleod/The Guardian

Para ser mais saudável e sustentável, coma mais peixe. Essa é a recomendação do governo inglês, que quer estimular o consumo de pescado entre os britânicos – mas desde que, além de saudável, o peixe seja de espécies fora do risco de sobrepesca. A idéia é convencer os britânicos a adotar uma dieta mais ambientalmente correta, segundo reportagem do jornal The Guardian.

Atualmente cerca de 50% dos estoques pesqueiros no mundo todo estão esgotados e 25% explorados além da capacidade de recuperação. Além disso, 25% dos peixes capturados acabam na lata do lixo, por não terem o tamanho adequado ou valor comercial.

A Food Standards Agency (FSA) do Reino Unido, órgão que regula a indústria alimentícia, lançou um documento onde sugere o consumo de espécies como o salmão do Alasca e o arenque do Mar do Norte – além de peixes e frutos do mar certificados com o selo do Marine Stewarship Council (MSC), ou Conselho do Manejo Marítimo. O selo, semelhante àquele que é utilizado para madeira oriunda de florestas, atesta que o peixe em questão não veio de áreas de superexploração. O governo inglês está preocupado com o futuro de espécies como o bacalhau de algumas regiões do Atlântico e alguns tipos de salmão.

A indústria global de frutos do mar gera sustento para mais de 200 milhões de pessoas e movimenta US$ 100 bilhões/ano. Só que sem medidas para promover a sustentabilidade, essa indústria pode estar inviabilizada até 2050, segundo a ONU.

Na América do Sul, apenas a vieira da Patagônia, pescada nas águas frias do sul da Argentina e exportada para mercados como a Europa, Estados Unidos e Canadá, possui o selo ‘verde’ do MSC.

Por aqui, o quadro não é diferente. Estudiosos vêm alertando o governo brasileiro de que 80% das espécies economicamente exploradas no País estão ameaçadas pela sobrepesca – ao mesmo tempo, o governo quer dobrar a atual produção de pescado até 2015 e licitar 5,5 milhões de hectares para projetos de aqüicultura em terra e no mar. Estimular a indústria é nobre, já que, segundo a USP, 25% da população brasileira depende do mar para viver. Falta agora criar critérios sustentáveis para alcançar essa meta e evitar o mal que se abateu sobre a sardinha – cuja pesca vem despencando ano a ano.