Brasileiros não trocam florestas por produção agropecuária a qualquer custo

Rodrigo Martins

30 Abril 2009 | 17h41


Gado toma conta de área desmatada na Amazônia. Foto de J.F.Diorio/AE

Os brasileiros não estão dispostos a trocar as florestas por produção agroecuária a qualquer custo. É o que aponta a pesquisa conduzida pelo DataFolha, a pedido da organização Amigos da Terra, que colheu impressões de 2.055 pessoas, durante o mês de abril, sobre a postura que o Brasil deve adotar em relação ao desmatamento.

A maioria (94%) dos entrevistados escolheu a opção de “parar o desmatamento, para evitar os custos de desastres ambientais como mudanças climáticas, desmoronamentos, alagamentos, etc.”. Outros 3% escolheram a opção de “permitir mais desmatamento, para produzir mais produtos agrícolas”. Outros 91% defendem penalidades mais rígidas para os desmatadores. A íntegra do estudo pode ser vista

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A pesquisa veio em um momento em que mais uma vez o Brasil discute o caduco dilema da conservação X desenvolvimento. Nas últimas semanas o País tem visto avançar uma perigosa cruzada contra o Código Florestal, liderada pela bancada ruralista do Congresso e pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

O argumento vigente é de que as leis ambientais vigentes impedem o País de aumentar sua produtividade agrícola. Pior: os grandes desmatadores estão usando os agricultores familiares como escudo. Dizem que são eles os maiores penalizados com a rigidez do código florestal.

Nessa toada, Santa Catarina ignorou as tragédias ambientais ocorridas recentemente e aprovou um código florestal próprio para lá de frouxo. São Paulo parece querer copiar a idéia. Enquanto o mundo discute o conceito de desenvolvimento sustentável, que versa justamente sobre como crescer com respeito ao ambiente e às pessoas, estamos avançando no retrocesso, firmando nossa honrosa posição como quarto maior emissor de gases estufa do mundo.