Banco Mundial: América Latina também precisa reduzir emissões de CO2

Rodrigo Martins

19 Março 2009 | 18h55

Queimada no Mato Grosso, em foto de Evelson de Freitas/AE

Mesmo se os países ricos reduzirem a zero suas emissões de gases de efeito estufa até 2050, as nações emergentes precisariam diminuir em até 28% seus níveis de poluição em relação ao ano de 2000, para evitar que o estoque de carbono na atmosfera chegue a 550 partes por milhão (ppm), o que elevaria a temperatura terrestre em 3°C.

As emissões de gases estufa per capita podem crescer 33,3% até 2030 na América Latina e Caribe, se não houver um compromisso maior dos governos e do mercado com a taxação do carbono. Atualmente Brasil e México são os maiores poluidores da América Latina: concentram 60% das emissões de gases de efeito estufa.

Essas são algumas das conclusões do relatório do Banco Mundial “Desenvolvimento com Menos Carbono: Respostas Latino-americanas ao Desafio das Mudanças Climáticas”, divulgado ontem. É a primeira vez que o tema mudanças climáticas é o foco de um estudo específico para a América Latina.

O estudo mostra ainda que as consequências de um aumento na temperatura para as florestas da região podem ser tão funestas quanto as motosserras e tratores. Com as alterações climáticas causadas por uma elevação de 3° C na temperatura, até 80% das florestas podem sumir do mapa, com consequências drásticas também para o regime de chuvas do continente.

Mudanças, só se ficar caro poluir
“O único modo de resolver o impasse climático é pela adoção de tecnologias limpas. Mas isso só vai ocorrer se houver um encarecimento da poluição, seja por meio de um imposto sobre o carbono ou pelo subsídio às tecnologias mais sustentáveis”, afirma Augusto de La Torre, economista-chefe do Banco Mundial para a região da América Latina e Caribe.

Segundo La Torre, os países emergentes precisam ter políticas de mudança do clima, pois os projetos de sequestro de carbono que estão sendo realizados não têm escala suficiente para garantir avanços na proteção ao clima.

O estudo destaca ainda a matriz energética limpa do Brasil e defende a limitação das barreiras alfandegárias para o etanol brasileiro. Leia mais aqui.