Aviação em busca do combustível verde

Rodrigo Martins

18 Novembro 2009 | 22h06

A companhia aérea Azul e a Embraer vão realizar, no início de 2012, o primeiro voo experimental (sem passageiros) com o uso de um querosene obtido de cana-de-açúcar – um ‘etanol’ para aeronaves, que também está sendo chamado de bioquerosene. A Azul, companhia aérea do americano David Neeleman que começou a voar no final do ano passado aceitou testar o bioquerosene em um dos seus jatos da Embraer. O combustível está em fase de desenvolvimento pela Amyris, da área de biotecnologia. Também participa do projeto a General Electric (GE), fabricante de motores para jatos.

Embora o processo de certificação do novo combustível seja longo, o querosene de origem renovável poderá começar a ser produzido em escala industrial em 2013 como uma alternativa ao de origem fóssil, responsável pela alta carga de emissões de CO2 da aviação, que representa 2% das emissões de gases esfufa do mundo.

Segundo Guilherme Freire, diretor de tecnologias para meio ambiente da Embraer, a busca por combustíveis renováveis mobiliza toda a indústria de aviação diante das pressões pela redução das emissões do tráfego aéreo. As emissões do setor devem chegar a 3% em 2050.

Esta semana, a Gol também anunciou sua entrada em um projeto de pesquisa de biocombustível para aviões – o Sustainable Aviation Fuel Users Group (Safug). Esse programa reúne empresas aéreas e provedores de tecnologia, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novas fontes renováveis de combustível para aviação.

O grupo trabalha em dois projetos preliminares de pesquisa. O primeiro estuda a sustentabilidade do cultivo do pinhão manso como alternativa para geração de combustível sustentável. E outra frente de estudos é relacionada ao uso de algas, com o objetivo de certificar que seu uso atende aos critérios de sustentabilidade. O grupo também prevê estudos futuros com outros tipos de matérias-primas.

Hidrocarboneto
No caso do projeto com a cana-de-açúcar, o novo insumo não demanda alteração no projeto dos motores. Segundo a Amyris, empresa que tem entre os sócios o grupo Votorantim, a cana pode repetir na produção de querosene o mesmo porcentual de redução de CO2, entre 80% e 90%, que o etanol representa em relação à gasolina. Isso porque o plantio da gramínea sequestra carbono da atmosfera. Tecnicamente, o bioquerosene de cana é um hidrocarboneto resultante de uma das etapas da produção do etanol. Após a fermentação do caldo da cana, o material que originará o bioquerosene é separado por centrifugação em lugar da destilação.

Para os executivos do setor aéreo, a diversificação da matriz energética da aviação reduz a insegurança em relação à flutuação da cotação internacional do petróleo, já que as companhias têm entre 30 e 40% dos seus custos associados a combustível.

Com informações de Alexandre Rodrigues/AE