Ainda sobre a carne: MP e frigoríficos fecham acordo

Rodrigo Martins

08 Julho 2009 | 21h29

Um mês após o polêmico relatório “A Farra do Boi na Amazônia”, do Greenpeace, que apontou a pecuária como o atual grande vetor do desmatamento, o Ministério Público do Pará firmou hoje um acordo com os frigoríficos Bertin e Minerva para adequação de suas cadeias de fornecedores às leis ambientais. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) prevê um compromisso das empresas de implementarem sistemas de rastreamento eletrônico do gado, uma moratória total do desmatamento por dois anos, reflorestamento de áreas degradadas, entre outros pontos.

As empresas terão que, a partir de agora, informar a origem da carne aos consumidores e ao MPF, que vai checar a existência de trabalho escravo, crimes ambientais e grilagem. Para o rastreamento dos bovinos, as empresas terão de adotar medidas como a implantação de cadastro informatizado de propriedades rurais e da Guia de Trânsito Animal (GTA) eletrônica no prazo de um ano, em vez do Sisbov – o sistema de rastreamento do governo federal foi considerado mais difícil de implantar pelos pecuaristas. Está previsto ainda um investimento de até R$ 5 milhões por ano para contratação de auditoria que vai avaliar o cumprimento dos compromissos assinados pelos frigoríficos.

E um ponto importante: essa informação deverá chegar aos consumidores, que terão meios para descobrir a origem da carne que estão comprando.Os frigoríficos deverão informar pela internet o lote das fazendas, com o respectivo município de origem do gado. Se tudo sair conforme o prometido, o consumidor brasileiro terá uma poderosa ferramenta nas mãos para orientar suas compras. Vamos ficar de olho.