ONGs ambientalistas descobrem a Realidade Virtual

ONGs ambientalistas descobrem a Realidade Virtual

André Palhano

30 Maio 2017 | 18h23

Todo ambientalista sabe que uma das principais dificuldades para engajar e sensibilizar pessoas para a causa é a desconexão com a natureza, especialmente num País (estamos falando de nós) onde mais de 85% da população vive no meio urbano. Não é raro ouvir frases do tipo “pode desmatar, eu nem gosto de mato” ou “se for derrubar árvore para plantar alimento, vale” e outras do gênero.

Isso vale tanto para a biodiversidade quanto para grupos que estão umbilicalmente atrelados ao meio natural, caso das populações indígenas. E revela uma persistente – e preocupante –  falta de conhecimento sobre as complexas cadeias ambientais que afetam diretamente, sim, a vida nas grandes cidades.

Nos últimos meses, no entanto, organizações ambientalistas parecem ter encontrado um poderoso aliado na sensibilização do público para a questão: a Realidade Virtual, ou simplesmente VR (na sigla em inglês). Se você já viu ou usou aqueles óculos que parecem uma máscara do futuro, deixando invariavelmente as pessoas de boca aberta, tamanho o espanto, é disso que estamos falando.


Em março, durante a Assembleia Geral da Tropical Forest Alliance 2020 (TFA 2020), a Conservação Internacional lançou seu primeiro filme VR, com uma imersão nos belos cenários da Amazônia, chamado “Amazônia Adentro. Diferente de uma enfadonha palestra sobre as belezas naturais da região e a necessidade de preservá-la, o que mais se ouviu dos participantes foram expressões de assombro e admiração, típicas de quem experimenta pela primeira vez a realidade virtual.

Logo depois, no final de abril, foi a vez do Instituto Socioambiental (ISA) lançar o seu “Fogo na Floresta” (foto), um mergulho de aproximadamente sete minutos (os filmes em VR são quase todos curtos) em um dia na aldeia dos índios Waurá, no Xingu, revelando a tensa aproximação do fogo em razão do desmatamento e mudança de clima na região. Com direção de Tadeu Jungle e narração de Fernanda Torres, o filme gera no público a reação que todo ativista sonha ao realizar uma campanha: encanto.

Agora é a vez do Greenpeace trazer uma novidade que ultrapassa as fronteiras da realidade virtual: a Experiência Munduruku, a primeira “experiência de realidade multissensorial” a ser apresentada no Brasil. Isso mesmo: uma imersão numa aldeia Mundukuru, no Pará, onde além da realidade virtual através da visão e do áudio os participantes também são envolvidos por outros estímulos sensoriais, como cheiro, vibração e calor.

“Nesta experiência única e inédita no mundo, será possível sentir literalmente a Amazônia. O cheiro da mata, o frescor da mandioca recém colhida da terra e a brisa em um passeio de barco”, relata o Greenpeace, que abre a experiência aos visitantes a partir do próximo dia 02 de junho, em São Paulo, no Centro Cultural Correios. Com entrada franca, a experiência criada pela ex-consultora de marketing do Greenpeace Índia, Grace Boyle, ficará aberta ao público até o próximo dia 25 de junho.

Quer mais do que isso para se encantar com a floresta e seus habitantes e compreender os bons motivos para defendê-la? Somente ao vivo. Na própria floresta.