Crise mantém brasileiro generoso, aponta índice global de solidariedade

Crise mantém brasileiro generoso, aponta índice global de solidariedade

Brasil caiu sete posições no índice, mas manteve patamares elevados em relação à média histórica. Para coordenadores, crise leva pessoas a se envolverem mais com projetos da sociedade civil.

André Palhano

05 Setembro 2017 | 00h12

A crise política e econômica manteve o brasileiro generoso no último ano. É o que mostra o mais recente World Giving Index (WGI), o índice global de solidariedade, coordenado pela instituição filantrópica Charities Aid Foundation (CAF), do Reino Unido.

Embora tenha caído sete posições no ranking global em relação ao índice divulgado no ano passado (do 68º lugar para o 75º lugar), o Brasil manteve-se bem acima de sua própria média em anos anteriores (em 2015, por exemplo, o País ocupava um vergonhoso 105º lugar).

Divulgado nesta quarta-feira, o WGI é resultado de uma extensa pesquisa que envolve mais de 146 mil pessoas em 139 países, representando mais de 95% da população mundial. O índice é composto de três eixos: número de pessoas que ajudaram um estranho, que realizaram trabalho voluntário ou que doaram recursos financeiros para uma organização da sociedade civil.


Na comparação com a pesquisa anterior, o Brasil aumentou no quesito voluntariado  (de 18% para 20% dos entrevistados), manteve-se estável na ajuda a estranhos (54%) e caiu na doação de dinheiro a organizações (de 30% para 21%). Conduzida pelo Instituto Gallup, a pesquisa deste ano entrevistou 1.001 brasileiros para chegar aos dados.

De acordo com o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), que representa o índice no Brasil, a manutenção em níveis historicamente elevados tem relação direta com a crise política e econômica, que levou as pessoas a terem mais vontade de se envolver com ações e projetos da sociedade civil e também as ONGs a procurarem recursos fora do setor público.

“Um pouco desse impulso foi mantido neste último ano e até aumentado em alguns casos”, relata o IDIS em comunicado. A exceção ficou por conta da doação direta de recursos para as organizações, o único eixo local com queda nesta última pesquisa.

No ranking da América do Sul, os brasileiros ocuparam a sexta posição no WGI, ficando atrás do Chile (1º), Equador (2º), Uruguai (3º), Colômbia (4º) e Bolívia (5º). As demais posições são ocupadas por Argentina (7º), Peru (8º), Venezuela (9º) e Paraguai (10º).

No ranking global, o país mais generoso do mundo continua sendo Mianmar (antiga Birmânia), pelo quinto ano consecutivo. Em seguida vem a Indonésia, o Quênia, a Nova Zelândia e os Estados Unidos, respectivamente. No ranking do ano anterior, os norte-americanos ocupavam a segunda colocação.