Varsovices

Varsovices

Giovana Girardi

22 Novembro 2013 | 14h00

Já está escuro e ainda mais frio aqui em Varsóvia, no oficialmente último dia da 19ª Conferência do Clima da ONU, mas tudo ainda está bem longe do fim. Como não tenho nada mais quente para noticiar, seguem algumas impressões e curiosidades desses últimos doze dias.

100 bi? Não, 100 mi
A representante do governo polonês, Beata Jacewska, causou um momento de furor hoje mais cedo, durante coletiva de imprensa, quando informava sobre o status da negociação. Disse que apesar de as negociações estarem travadas em alguns pontos, havia avanços, como o anúncio do compromisso de países como Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Noruega, Suécia e Suíça de passar mais de US$ 100 bilhões para o fundo de de adaptação? Cem bi?, se empolgaram os jornalistas. Não eram só cem milhões.

Camiseta e tênis
A delegação australiana foi talvez a menos ambientalmente correta durante a conferência. Logo no primeiro dia diminuiu suas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa e de compromissos financeiros e em meio a discussões do novo mecanismo de loss and damage (perdas e danos), causou revolta de todo mundo. Enquanto países que já estão sofrendo com as mudanças climáticas pediam por alguma forma de compensação, delegados australianos, abandonaram a estética diplomática do terno e gravata e apareceram de camiseta, tênis e ficaram o tempo todo beslicando comidinhas.


Chocolate da mudança Uma ONG de jovens inventou uma maneira criativa e infalível de chamar a atenção de imprensa e negociadores. Em vez de panfletos e cartazes pedindo ação, ao longo desta semana, todo dia, na entrada principal, eles entregaram uma barrinha de chocolate certificado como comércio justo para quem entrava. “O chocolate da mudança vai te dar toda a energia que você precisa para lutar pelo nosso futuro durante as negociações climáticas.”Fofo. Não sei quanto aos negociadores, mas esse chocolatinho matou a fome de muito jornalista por aqui.

Pisco rumo a 2014
O governo do Peru, que vai sediar a próxima COP, no ano que vem, fez a alegria de jornalistas, ongueiros e negociadores ao deixar uma barraquinha servindo permanentemente, nos últimos dias, copinhos com pisco sauer, bebida típica do país. 

Turururu, turururu, tururururuuuuu
Um certo parlamentar brasileiro insistiu em não deixar seu celular no silencioso, e o aparelho tocava aquela musiquinha velha sempre no meio das coletivas de imprensa do Brasil e até do Basic. Sem-noção