Sobre tamanduás, desafios e objetivos

Giovana Girardi

25 Junho 2013 | 14h25

Olá,

Meu nome é Giovana Girardi, sou jornalista especializada em ciência e meio ambiente e desde o início de 2012 trabalho como repórter de ambiente do Estadão. Mas isso você pode ver na ficha aí ao lado. Então, em vez de me apresentar, vou falar um pouco o que espero desse blog. E para isso vou contar as circunstâncias em que a foto acima foi tirada.

Foi em fevereiro deste ano, quando eu e o fotógrafo Evelson de Freitas estávamos na Calha Norte, no Pará, uma das regiões mais protegidas e preservadas da Amazônia, mas também uma das mais pobres. A ideia era conhecer esses contrastes da região e discutir caminhos para que a conservação florestal possa ser aliada do desenvolvimento econômico.

Ao longo de chuvosos cinco dias – uma miséria para um lugar tão grande, trafegável na maior parte só por barco – tentamos vislumbrar a realidade local (veja o especial). Da gente que vive à espera da colheita da castanha, que demora dias para conseguir chegar a um posto de saúde, que luta contra a malária, que come enlatados porque não tem energia para manter os alimentos frescos refrigerados, que na maior parte das vezes não sabe muito bem o que pode ou não fazer – quais são as saídas além de desmatar.

Conheci esse pequeno tamanduá-bandeira no primeiro dia de viagem, em Porto Trombetas, vila criada pela Mineração Rio do Norte em torno da exploração de bauxita. Cercada por unidades de conservação, a atividade, apesar de envolver a remoção de floresta para a abertura de lavras, tenta ser cuidadosa com o ambiente, ao salvar espécies antes da supressão e depois ao fazer a reabilitação dessas áreas. O bichinho, sem a mãe, foi encontrado numa dessas expedições que afugentam fauna dos locais onde vai passar o trator.

A mineração é a principal atividade econômica daquela região e os municípios que recebem royalties dessa exploração são os que têm melhores indicadores socioeconômicos. Os outros, porém, se mantêm só com castanha, com pesca, com gado ilegal. Mais recentemente começou a se investir na vocação do local, a floresta, e foram feitas as primeiras concessões para a exploração de madeira. É uma atividade que tem muito potencial, mas precisa ganhar escala.

O desafio de promover um desenvolvimento sustentável aliado à floresta não é só da Calha Norte, mas de toda a Amazônia. Em especial, claro, da que está conservada, mas também da fatia que foi desmatada e que pode e deve ser recuperada. Na verdade é um desafio para qualquer lugar do mundo que ainda tenha vegetação remanescente e sofra uma pressão econômica e social.

É disso, em parte, que quero tratar nesse blog: de iniciativas para convivermos em harmonia nesse planetinha. Nas florestas, no campo, nas cidades, nos mares. A realidade, porém, é que o grosso do meu trabalho é reportar o oposto disso. Infelizmente porque ainda estamos bem longe de chegar a essa harmonia. Portanto, denúncias, críticas, discussões, alertas também estarão por aqui.