Sem avanço, ONGs abandonam discussões em Varsóvia

Sem avanço, ONGs abandonam discussões em Varsóvia

Giovana Girardi

21 Novembro 2013 | 11h48

Kumi Naidoo explica suas razões à imprensa antes de ativistas deixarem a negociação

Em um gesto inédito nas conferências do clima, ativistas das principais ONGs presentes em Varsóvia abandonaram a reunião hoje em protesto contra a falta de avanços na reunião. Vestindo camisetas brancas com os dizeres: “Pollutes talk, we walk”, que só rimam em inglês, mas significam algo como “poluidores debatem, nós vamos embora”, centenas de pessoas (de acordo com os organizadores podem ser mais de 800) foram embora do estádio nacional, onde ocorre o evento, e largaram seus crachás, num simbolismo de que para esta reunião eles não voltam mais.

Eles explicaram que é uma trágica reação a uma total falta de avanços que, segundo eles, nunca foi vista antes. “Nós perdemos a esperança na habilidade dos governantes de chegarem a um resultado”, disse um dos líderes do movimento, comandado pelas ONGs Greenpeace, WWF, Oxfam, International Trade Union Confederation, Amigos da Terra e Action Aid. As ONGs não fazem parte das negociações formais, mas atuam como observadoras e sua presença mostra que existe transparência no processo.

“Fomos forçados a tomar esta ação por causa da falha dos governos de levar a sério essas conversas. Não estamos abandonando o processo das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, apenas esta conferência em Varsóvia, onde os interesses das indústrias mais poluidores foram colocados acuma das necessidades dos cidadãos”, disse Samantha Smith, do WWF.


Segundo os ativistas, o ato é em homenagem às vítimas das mudanças climáticas, como os filipinos, e pela ausência de avanço em questões como finanças, que deveriam justamente fornecer ajuda para que os países em desenvolvimento possam lidar com o problema. “Já basta”, foi a principal mensagem do movimento.

Para Kumi Naidoo, do Greenpeace, a decisão de abandonar a COP em Varsóvia é uma “clara declaração” contra o que ele chama de “traição ao senso de urgência” colocado pela ciência”. “A sociedade civil e muitos governos de países em desenvolvimento vieram para Varsóvia com uma expectativa muito baixa de resultados, mas elas estão ficando cada vez mais baixas com o passar do dia. E agora, quando temos países poderosos, como Canadá, Austrália, Japão, voltando atrás em seus compromissos, é um sinal de que eles não são sérios”, disse.

Ele afirmou que espera com este gesto simbólico mandar uma mensagem aos líderes. “Eles estão ficando sem tempo e têm de lidar com um problema de dissonância cognitiva. Porque se eles não acreditam na ciência, ao menos tem de acreditar nos eventos climáticos extremos. E a combinação dos dois deveria trazer muito mais urgência a essas negociações”, complementou.

“Parte do que queremos dizer com essa ação é que se continuarem assim, não teremos a menor chance de um acordo justo, ambicioso e legalmente vinculante em Paris. Isso porque o que estamos dizendo que vamos ter em Paris, é o que dissemos em Bali (em 2007) sobre o que precisaríamos fazer em Copenhague (em 2009). Então não podemos continuar apenas a mudar o timeline e temos de entender que a natureza não negocia.”

Quem ficou interpretou o ato como um drama sem muito impacto. Tanto quanto a greve de fome já de 11 dias do filipino Yeb Saño está tendo na negociação: praticamente nenhum. Outra análise ouvida nos corredores é que, ao sair, os ativistas deixam de exercer a pressão onde as discussõs estão sendo tomadas.