Quatro dos seis maiores macacos do mundo estão perto da extinção

Quatro dos seis maiores macacos do mundo estão perto da extinção

O alerta está na nova lista de espécies ameaçadas, divulgada neste domingo pela IUCN. A boa notícia é que o panda gigante teve um aumento de população na China e hoje está menos ameaçado

Giovana Girardi

04 Setembro 2016 | 17h47

Gorila oriental está criticamente ameaçado de extinção. Crédito: Intu Boedhihartono

Gorila oriental está criticamente ameaçado de extinção. Crédito: Intu Boedhihartono

HONOLULU – Quatro dos seis grandes macacos do mundo estão criticamente ameaçados de extinção, de acordo com a nova lista vermelha de espécies ameaçadas, divulgada neste domingo (4) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), durante o Congresso Internacional para a Conservação da entidade, que é realizado em Honolulu (Havaí).

Este é o nível mais alto de ameaças a que espécies estão submetidas – último passo antes de serem considerados extintos na natureza. “Estamos exterminando nossos parentes mais próximos”, declarou Inger Andersen, diretora geral da IUCN, em entrevista coletiva.

O caso mais simbólico é o do gorila oriental (Gorilla beringei), que na última versão da lista, em 2012, era considerado em perigo, agora passa a ser criticamente ameaçado, com a detecção de que houve uma redução de mais de 70% da população nos últimos 20 anos, principalmente por causa da caça ilegal. Estima-se que menos de 5.000 indivíduos de duas subespécies estão na natureza.


Também em situação criticamente ameaçada estão o gorila ocidental e os orangutangos de Borneo e de Sumatra. Chimpanzé e bonobos, os animais mais próximos dos seres humanos na linha evolutiva estão na categoria em perigo.

A mais abrangente lista deste gênero no mundo avaliou em sua mais recente edição as condições em que se encontram 82.954 espécies de animais e plantas no mundo, sendo que 23.928 delas estão em algum grau de ameaça. Segundo os organizadores, apesar de haver alguns casos de sucesso em que o nível de ameaça foi reduzido após ações de conservação, como combate à caça e recuperação dos habitats naturais, a situação geral é de piora.

“Nós estamos perdendo espécies em um ritmo cada vez mais rápido. Por isso é imperativo ter mais ações de conservação, mais políticas dos governos, mais pesquisas, leis e financiamento que permitam criar um ambiente favorável para as espécies”, alertou Inger.

De acordo com Carlos Rondinini, coordenador da parte do mamíferos do levantamento, hoje há 10 vezes mais espécies chegando perto da extinção do que aquelas que tiveram uma melhora de sua situação. “Ações de conservação funcionam, é claro, mas tem sido insuficientes. Precisam ser substancialmente aumentadas.”

A boa notícia vem de um animal altamente icônico: o panda gigante (Ailuropoda melanoleuca), que na lista anterior era lista como em perigo agora aparece como vulnerável. O mérito, dizem os organizadores da lista, é do governo chinês, que promoveu ações para o controle da caça e recuperação de florestas de bambu, o alimento preferencial do animal. “Nós realmente não esperávamos por isso, mas é algo a se celebrar”, comentou Simon Stuart, da comissão para a sobrevivência das espécies, da IUCN.

Pandas tiveram um aumento de população após recuperação das florestas de bambu. Crédito: Martha de Jong-Lantink

Pandas tiveram um aumento de população após recuperação das florestas de bambu. Crédito: Martha de Jong-Lantink

Rondinini ressalta, porém, que pode ser um ganho temporário, visto que há previsões de que as mudanças climáticas podem reduzir em mais de 35% das florestas de bambu nos próximos 80, o que terá impacto direto na população de pandas. Por isso, diz, é fundamental aumentar as medidas para a proteção desse hábitat.

Brasil. Do País, o destaque é negativo. O cágado-de-hegei, ou cágado-da-Paraíba (Mesoclemmys hogei), que recebe esse nome justamente por ser endêmico do rio Paraíba, foi classificado como criticamente ameaçado (na última análise ele estava em perigo). Segundo o relatório, dez das 18 sub-populações conhecidas desapareceram nos últimos 40 anos. Ele habita áreas baixas do rio, entre o Rio de Janeiro e o sul de Minas, mas vem sendo afetado pela destruição de hábitat.

Hibiscadelphus woodii, umas das 38 espécies consideradas extintas no Havaí. Crédito: Ken Wood

Hibiscadelphus woodii, umas das 38 espécies consideradas extintas no Havaí. Crédito: Ken Wood

Havaí. A IUCN também destacou o impacto que as ilhas do Havaí, que sediam o congresso, vem sofrendo com espécies invasoras, como porcos, cabras, ratos e plantas não nativas, que destróem a flora local. Segundo o relatório, entre 415 espécies de plantas endêmicas das ilhas que foram avaliadas, 87% estão ameaçadas, sendo que 38 foram listadas como extintas e outras quatro já estão extintas na natureza (existem apenas em áreas de cultivo).

“O que vemos acontecendo no Havaí está predizendo o que vai acontecer em outras ilhas ou sistemas ecológicos restritos. É preciso tomar ações urgentes para parar a dispersão de espécies invasoras e proteger espécies que tenham pequenas populações”, afirmou Mathew Keir, especialista da IUCN em plantas havaianas.

* A repórter viajou para Honolulu a convite da IUCN

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