Polaridade entre países ricos e pobres se acirra em Varsóvia

Giovana Girardi

20 Novembro 2013 | 18h31

A divisão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento ficou ainda mais evidente nesta quarta, com a presença dos ministros de Estado. Nos discursos oficiais, todo mundo fala em mais ambição, em ações urgentes, em como as tragédias climáticas trouxeram uma face humana para o problema. Mas, como dizem, o diabo está nos detalhes, e no encaminhamento dos compromissos as discussões travam.

“Eu quero saber onde está o dinheiro”, disse a ministra indiana de Florestas e Ambiente, Jayanthi Natarajan, durante coletiva dos Basics (Brasil, China, Índia e África do Sul), em referência ao compromisso dos países desenvolvidos em ajudar os em desenvolvimento a lidar com as mudanças climáticas.

Nações ricas, como Estados Unidos e Austrália e de alguma forma também União Europeia, têm cobrado que a ambição em mitigação (redução das emissões) venha dos países em desenvolvimento. Esses, por sua vez, reagem dizendo que a maior parte das reduções de emissões ocorridas nos últimos anos no planeta foram por conta de suas ações voluntárias e não pelas obrigatórias das nações desenvolvidas.

O chefe da delegação chinesa, Xie Zhenhua, também foi enfático ao dizer que os delegados não podem querer “reescrever a convenção”, se referindo aos princípios da Convenção do Clima, estabelecidos na Rio-92, reafirmados na Rio+20 e que regem essas conferências. O mais polêmico deles é o que fala em “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”.


Os países desenvolvidos, responsáveis históricos pela maior parte da quantidade de gases de efeito estufa acumulados desde a Revolução Industrial, tendem a alegar que agora a situação é outra, visto que países em desenvolvimento hoje são grandes contribuintes. Xie reconheceu essa posição, mas lembrou que em termos de emissão per capita os Estados Unidos ainda são os líderes.

O líder dos negociadores brasileiros, José Antonio Marcondes de Carvalho, lembrou mais uma vez que é exatamente por conta da contribuição passada que é importante ter uma ferramenta científica que mostre a responsabilidade de cada país na elevação da temperatura.