Parque do Pau-brasil vira modelo para ecoturismo
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Parque do Pau-brasil vira modelo para ecoturismo

Parque nacional localizado a apenas 30 minutos de Porto Seguro, na Bahia, ficou fechado por 16 anos desde sua criação e foi aberto pela primeira vez no final de outubro; planejamento dos últimos anos está sendo considerado modelo para visitação em outras unidades de conservação do País; veja galeria de fotos

Giovana Girardi

10 Dezembro 2016 | 15h30

Foi ali do lado que o Brasil foi descoberto. Suas terras são cortadas pelo primeiro rio a ser batizado pelos portugueses e são cobertas por árvores de mil anos, exemplares da espécie que emprestou seu nome ao País. Apesar de todos os atrativos ambientais e históricos, o Parque Nacional do Pau-brasil passou os últimos 16 anos, desde a sua criação, sem um único turista. Fechado ao público, era mais um parque de papel, como muitos que existem no Brasil sem boas condições de visitação.

Bicho-preguiça é flagrado no Parque do Pau-brasil, um dos remanescentes de Mata Atlântica do Nordeste. Crédito: Luciano Candisani / Divulgação

Bicho-preguiça é flagrado no Parque do Pau-brasil, um dos remanescentes de Mata Atlântica do Nordeste. Crédito: Luciano Candisani / Divulgação

Essa situação mudou no dia 28 de outubro, quando ele enfim foi aberto depois de um trabalho de cinco anos que já está sendo considerado modelo para o País de criação de um plano de manejo pensado estrategicamente para o turismo. O caso foi um dos destaques do seminário Parques do Brasil, realizado no último dia 24 em São Paulo.

O biólogo Fábio Faraco, gestor do parque e responsável pelo projeto, conta que buscou o que há de mais moderno no conhecimento sobre como aliar a conservação da natureza com o turismo, considerado justamente uma ferramenta para melhorar a proteção. Até capacitação no Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, referência no assunto em todo o mundo, ele pôs gente para fazer.

O mote foi aproveitar as oportunidades que a própria região traz. O parque está localizado a apenas 30 minutos de Porto Seguro, o terceiro principal destino do Nordeste, que recebe mais de 1 milhão de turistas por ano. Está no caminho entre a cidade e praias badaladas como Arraial da Ajuda, Trancoso e Caraíva. “As pessoas já passam aqui na frente o tempo todo. Podem entrar, aproveitar o dia no parque e depois seguir viagem.”

Para atrair essa turma, ele buscou entender o perfil dos visitantes de Porto Seguro, em sua maioria famílias, por isso pensou em trilhas com acessibilidade, bancos, mesinhas para piquenique, mirantes. Mas também em tirolesa e arvorismo para os mais aventureiros. Por outro lado, notou que havia um interesse de ciclistas, o que levou à elaboração de ciclovias que já têm atraído competições de mountain bike.

Rio do Brasil, o primeiro curso d'água batizado no Brasil, poucos anos após o descobrimento, é uma das atrações do Parque Nacional do Pau-Brasil, na Bahia. Crédito: Luciano Candisani / Divulgação

Rio do Brasil, o primeiro curso d’água batizado no Brasil, poucos anos após o descobrimento, é uma das atrações do Parque Nacional do Pau-Brasil, na Bahia. Crédito: Luciano Candisani

A questão histórica mereceu uma atenção especial. “Aqui temos a maior população de pau-brasil nativo, com algumas árvores de mil anos. São sobreviventes do processo de exploração que levou quase à extinção a espécie. E o primeiro rio cartografado nos primeiros mapas que foram feitos do País, não por acaso chamado de Rio do Brasil. Ao lado do parque há uma das comunidades mais antigas do Brasil, um quadrante jesuítico. O centro de visitantes conta toda essa história”, afirma.

Em meio à penúria observada em outras unidades de conservação federais, Faraco buscou parcerias para criar a infraestrutura e contou com funcionários da prefeitura de Porto Seguro para atuar nas trilhas.

O planejamento das atividades de turismo e lazer contou, nos últimos 18 meses antes da abertura ao público, com uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Natureza (ICMBio), órgão responsável pelas unidades de conservação federai, a Conservação Internacional (CI-Brasil), a prefeitura de Porto Seguro, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Rio do Brasil, a Veracel Celulose e a Associação Despertar Trancoso.

Na expectativa da CI, o uso público do parque poderá funcionar como um vetor de desenvolvimento regional, podendo movimentar cerca de R$ 1,7 bilhão por ano.

Concessão. Agora a ideia é fazer a concessão desses serviços à iniciativa privada. No evento Parques do Brasil, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, anunciou que o parque da Bahia é um das três unidades de conservação federais que serão abertas à concessão nos próximos meses. Os outros são os parques nacionais de Brasília e da Chapada dos Veadeiros (GO). Segundo Faraco, bilheteria, estacionamento, aluguel de bicicleta e lanchonetes devem ser repassados, mas o acesso às trilhas será livre.

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