ONGs se juntam a filipino em greve de fome por ações mais concretas na COP

ONGs se juntam a filipino em greve de fome por ações mais concretas na COP

Giovana Girardi

12 Novembro 2013 | 11h40

Ao centro (de terno, em pé), Yeb Sano recebe o apoio das ONGs

O apelo do diplomata filipino Yeb Sano, que ontem anunciou que ficaria em jejum durante as duas semanas da Conferência do Clima em Varsóvia, em uma ação para pedir resultados mais fortes da reunião,  repercutiu entre organizações da sociedade civil e hoje pelo menos mais 30 pessoas  (podendo chegar a cem) anunciaram que estavam se juntando a ele.

Jovens pedem ação imediata

Durante o horário de almoço, em frente à praça de alimentação da conferência, dezenas de ambientalistas, cercado por outra dezena de jornalistas, prestaram solidariedade a Sano anunciando seu próprio jejum. Segurando cartazes com os dizeres “É hora do almoço, mas não estamos comendo” e a hashtag “westandwithyou”, ou “nós te apoiamos”, pediam “ação climática real” e “justiça climática”.

Segundo os organizadores, cerca de 20 entidades da sociedade civil estão participando. Wael Hmaidan, diretor da CAN (Climate Action Network), organização que reúne centenas de ONGs em torno da questão climática, afirmou que o jejum, além de ser um ato de solidariedade aos filipinos, é também um protesto sobre o comportamento, “retórico”, de acordo com ele, dos diplomatas presentes à conferência.

“Todo mundo se disse tocado, sentindo a urgência, mas depois voltaram a agir como se nada tivesse acontecido”, disse. Ele citou como referência a Austrália, que ontem anunciou que não teria mais como aumentar suas metas de redução de emissões, mas também a própria Polônia, que recebe o apoio da indústria do carvão para financiar o evento. “Queremos mostrarm uma ação mais forte nessas negociações. Sim, a sociedade civi está pronta para este desafio, podemos ser mais ousados e fortes em nossas intervenções.”

De acordo com ele, as ONGs querem que haja um movimento politico, ou ao menos sinais de que querem aumentar a ambição, “fechar as lacunas de mitigação e de finanças e direcionar o mecanismo de loss and damage”.

O mecanismo, aprovado em princípio na COP em Doha, no ano passado, prevê a ideia de que se pague uma espécie de compensação para países que já estão sofrendo com as mudanças climáticas.  As partes precisam definir, porém, como ele funcionaria na prática, o que provavelmente só será definido na COP de 2015, em Paris, quando os países também têm de finalizar o novo acordo climático global de redução das emissões.

Risco climático. Os números dos desastres naturais impressionam. Nos últimos 10 anos, de 1993 a 2012, mais de 530 mil pessoas morreram como resultado direto de cerca 15 mil eventos extremos. E as perdas econômicas nesse período foram de mais de US$ 2,5 trilhões, de acordo com levantamento feito pela ONG German Watch. A 10a edição do Índice Global e Risco Climático foi anunciada nesta terça-feira durante a COP.

O estudo mostra que os países mais atingidos são, ironicamente, aqueles que menos contribuem com o aquecimento global. O Haiti ficou em primeiro lugar no índice de risco no ano passado, seguido de Filipinas e Paquistão.

Christoph Bals, diretor de políticas da German Watch, lembrou que as Filipinas, por exemplo, até tem a capacidade de responder a esses eventos climáticos extremos, tanto que representantes do país costumam oferecer treinamentos de adaptação, mas as seguidas tragédias têm sobrecarregado essa capacidade. “Eles precisam de ajuda agora.