Plataforma do Google ‘Eu sou Amazônia’ revela conexões da floresta com o mundo

Plataforma do Google ‘Eu sou Amazônia’ revela conexões da floresta com o mundo

Google Earth traz em 11 histórias interativas os mais diferentes aspectos da região com a promessa de revelar as conexões da maior floresta tropical do mundo com cada um de nós

Giovana Girardi

11 Julho 2017 | 18h24

Imagem de abertura da plataforma “Eu sou Amazônia”

Ameaças à Amazônia estão constantemente no noticiário, assim como os impactos que a perda da floresta podem ter não apenas para o ambiente local, mas para o clima, a agricultura, a produção de energia, o regime de chuvas em lugares tão distantes dali como a cidade de São Paulo. Mas não é raro que mesmo um leitor atento dessas notícias na maior cidade do País possa não entender bem o que a floresta tem a ver com sua vida na megalópole.

É o que o Google se propõe a ajudar a responder com uma nova plataforma lançada nesta terça-feira, 11, dentro do Google Earth, programa que também foi remodelado. O “Eu sou Amazônia” traz em 11 histórias interativas, compostas com vídeos, mapas, áudio e realidade virtual em 360°, os mais diferentes aspectos da região com a promessa de revelar as conexões da maior floresta tropical do mundo com cada um de nós, com internautas de qualquer parte do mundo.

O material, que conta com produções do cineasta brasileiro Fernando Meirelles, e parceira com o Instituto Socioambiental (ISA), mostra o papel da floresta na regulação das mudanças climáticas, na produção de água, de alimentos, de remédios – além dos desafios e riscos que ela enfrenta – por meio de histórias de quem vive ali. São indígenas, ribeirinhos e quilombolas e até produtores rurais que por lá chegaram quando o desmatamento era incentivado pelo governo e hoje entendem a importância da floresta em pé.

As apresentações são divididas nos temas: água (sobre a produção da floresta e sua relação com a chuva em outras partes do País); mudança (sobre a região de Paragominas, no Pará, que foi severamente desmatada ao longo de 40 anos e hoje trabalha para se tornar a primeira cidade verde da região); alimento (sobre os produtos da floresta, como castanha-do-pará e o açaí); raiz (sobre a cultura dos Yawanawá, que quase se perdeu e se recuperou com o empoderamento feminino e economia sustentável); inovação (sobre o povo Paiter Suruí, que descobriu com a tecnologia uma forma de monitorar sua terra e conseguiu sobreviver); liberdade (sobre quilombolas que encontraram na Amazônia um lar após fugirem da escravidão); resistência (sobre o povo Tembé, na sua luta pelo direito à terra); resiliência (sobre as ameaças que desmatamento, agrotóxicos e mudanças climáticas trazem ao Xingu); aventura (sobre uma trilha de 36 km com os Yanomami até o Pico da Neblina); e conhecimento (sobre como o povo Cinta Larga usa projetos de educação para conseguir proteção de seu território).

Turismo com os Yanomami

A última parte do material é chamada de Terras Indígenas, uma espécie de atlas das mais de 580 terras indígenas do País, que representam cerca de 13,8% do território nacional. Na plataforma é possível ver, além de mapas e informações gerais sobre todas elas, também perfis especiais de cada uma, com um olhar especial para 20 delas. Com o passar do tempo, outras histórias devem ser acrescentadas. E desde o início de julho, quem acessa o Google Maps consegue ver, além da área de cidades, estados e parques naturais, também a delimitação de terras indígenas.

Todo esse trabalho é o ápice de uma parceria que começou há 10 anos com o cacique Almir Suruí, do povo Suruí, com a criação do Mapa Cultural dos Suruí, que tinha como objetivo combater o desmatamento e mapear o estoque de carbono de suas terras. Leia mais no blog do Google.

Parceria começou com os Suruí