Novo secretário assume Meio Ambiente de SP defendendo o diálogo

Novo secretário assume Meio Ambiente de SP defendendo o diálogo

Maurício Brusadin, do PP, assume a pasta deixada por Ricardo Salles na última segunda-feira; o economista usou em seu discurso um tom conciliatório, em oposição ao seu antecessor, que era chamado de autoritário e pouco afeito ao diálogo

Giovana Girardi

31 Agosto 2017 | 14h18

O economista Maurício Brusadin, de 40 anos, tomou posse nesta quinta-feira, 1, como novo secretário estadual do Meio Ambiente. É a terceira pessoa a ocupar a cadeira desde o início do mandato atual de Geraldo Alckmin (PSDB).

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, recebe o novo secretário do Meio Ambiente, Maurício Brusadin. Crédito: Diogo Moreira/A2img

Brusadin substitui o advogado Ricardo Salles, exonerado na última segunda-feira, 28, depois de um ano e um mês no cargo. Após semanas de rumores sobre sua possível saída, Salles divulgou na segunda, em suas redes sociais, uma carta que ele enviou a Alckmin em 7 de agosto, pedindo sua saída. No post, disse que seu pedido havia sido aceito.

O advogado de 42 anos ligado ao setor ruralista acumulou polêmicas desde o início de sua gestão e vinha sofrendo sucessivos desgastes por conta de investigações de suspeita de improbidade administrativa por parte do Ministério Pública estadual.


Ex-secretário particular do governador Geraldo Alckmin e fundador do movimento Endireita Brasil, Salles não tinha nenhuma experiência com a área ambiental assumiu a Secretaria do Meio Ambiente, o que ocorreu em uma concessão feito por Alckmin ao PP por apoio do partido à candidatura de João Doria à prefeitura de São Paulo.

Brusadin, natural de Jaboticabal, é filiado ao mesmo PP de Salles e foi indicado pelo partido para assumir a vaga. O presidente do PP e deputado federal Guilherme Mussi esteve ao seu lado na cerimônia de posse, que também contou com a representante da Fiesp Maria Cristina Murgel e a presidente da Única (União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo), Elizabeth Farina.

Da sociedade civil esteve presente Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica, e, representando o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, participou o secretário de Biodiversidade do ministério, José Pedro de Oliveira Costa, que também. foi o primeiro secretário de Ambiente de São Paulo.

Diálogo. Brusadin não destacou na cerimônia quais serão seus planos de gestão. Disse que sua missão número 1 será conectar a Secretaria de Meio Ambiente com a sociedade civil e com todo o corpo técnico do órgão. Foi uma mensagem clara de posicionamento em distinção a Salles, que foi muito criticado durante sua gestão por não ouvir nem dialogar e por tomar medidas de modo autoritário.

“Centralizador” e “pouco afeito a contradições” eram expressões comuns usadas por quem lidou com ele neste período para descrevê-lo. O medo de retaliações era frequente e na maioria das vezes as pessoas pediam para não terem os nomes revelados em reportagens sobre ações do secretário.

Brusadin afirmou que não tomaria nenhuma atitude antes de assinar uma resolução para “recompor os conselhos”, no que foi bastante aplaudido na cerimônia de posse em auditório na secretaria. “Não é possível construir políticas públicas sem ouvir os diversos”, disse. “Essa é uma casa plural e vamos dar voz a todos que tenham legitimidade para ter voz”, acrescentou.

Sobre Salles, elogiou sua política de acabar com lixões no Estado. “Essa polítca continua. Vamos fechar, mas vamos dialogar.”

O verbo também foi bastante citado pelo novo secretário-adjunto, Eduardo Trani, que afirmou ter como objetivo trabalhar para fazer conexões e integrar a equipe.

O novo secretário falou ainda do desejo de criar a figura do “cientista-residente”. Não explicou exatamente o que seria o cargo, mas disse que a ideia é ter a ciência mais presente nas decisões da pasta. “É impossível uma secretaria como essa não fazer aliança com a ciência. Queremos deixar claro que a ciência pauta as nossas decisões.”

Também pareceu uma resposta ao posicionamento de Salles, que foi criticado por não acatar pareceres técnicos, como um feito pela USP no caso do plano de manejo da APA Várzea do Rio Tietê, e por atritar com pesquisadores do Instituto Florestal.

Brusadin foi presidente estadual do Partido Verde e vereador em Jaboticabal. É formado em economia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestre em Engenharia Urbana, pela UFScar. Professor de Planejamento Digital da ComScholl, professor de Comunicação Pública Digital da ePoliticScholl e diretor de Direitos Humanos de Terceira Geração (Sustentabilidade) da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo.