Negociador filipino anuncia greve de fome na COP

Negociador filipino anuncia greve de fome na COP

Giovana Girardi

11 Novembro 2013 | 11h00

Negociadores fazem três minutos de silêncio em homenagem às vítimas do tufão

Quando se fala em negociação internacional climática, os seguidos anos de muita discussão, inflexibilidade e pouco avanço deixam uma sensação incômoda de que só diante de uma terrível tragédia, o mundo vai decidir mudar

Para as Filipinas, a passagem do super tufão Hayan, que matou mais de 10 mil pessoas, é este momento. O principal negociador climático do país, Yeb Sano, foi às lágrimas ao pedir, durante a sessão de abertura da 19a Conferência do Clima da ONU, em Varsóvia, Polônia, por metas metas mais ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa, assim como por financiamento climático para medidas de adaptação e de compensação para os países que já etão sofrendo com as mudanças climáticas.

Citando o irmão, que está em seu país ainda ajudando a juntar corpos e sem conseguir comer por causa do tufão, Sano anunciou em apoio que fará uma espécie greve de fome, um jejum, durante a duração da conferência em Varsóvia até que os países tomem uma ação.


Muito emocionado, desafiou aqueles que não acreditam na realidade da mudança climática, que visitem as Filipinas neste momento. E pediu para que a conferência em Varsóvia seja aquela que “acabe com essa loucura”.

“Nós podemos consertar isso. Nós podemos parar essa loucura. Agora, aqui, no meio desse estádio de futebol. Eu peço a você (o presidente da COP, o polonês Marcin Korolec) que nos lidere. E permita que a Polônia seja para sempre lembrada como o país onde realmente nos preocupamos em parar com essa loucura. Acredito que nós ainda podemos.”

Mais cedo, quando Korolec se dirigiu à plenária, ele já havia afirmado que o tufão foi um “doloroso despertar”, porque é uma “outra prova de que estamos perdendo a luta”.

Após a fala de Sano, houve aplausos e três minutos de silêncio em homenagem aos filipinos. No ano passado ele também comoveu e arrancou aplausos de outros delegados ao pedir mais ação também após seu país ser atingindo por um tufão.

* A viagem é  financiada pela Convenção do Clima (UNFCCC)