Líder da Convenção do Clima pede mudança dramática à indústria do carvão

Líder da Convenção do Clima pede mudança dramática à indústria do carvão

Giovana Girardi

18 Novembro 2013 | 18h29

Manifestantes do Greenpeace escalaram o prédio do Ministério da Economia e penduraram uma bandeira polonesa com os dizeres: “Quem governa a Polônia? A indústria do carvão ou o povo?”

A polêmica Cúpula Mundial do Carvão, que teve início hoje em Varsóvia paralelamente à  realização da Conferência do Clima da ONU, recebeu em sua abertura uma chamada de atenção da secretaria executiva da Convenção do Clima, Christiana Figueres.

Sua presença no evento foi questionada por ONGs ambientalistas, que consideram o evento uma afronta às negociações climáticas, mas ela disse que iria para passar uma mensagem sobre a necessidade de mudança do setor.

“Deixe-me ser clara de que a minha presença hoje aqui não é nem uma aprovação tácita do uso do carvão nem é uma chamada para seu desaparecimento imediato. Mas estou aqui para dizer que o carvão tem de mudar rápida e dramaticamente para o bem de todo mundo.”


Ela lembrou o mais recente relatório (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). “O AR5 não é ficção científica, é fato científico”, disse.

“A ciência é clara. Estamos em uma concentração sem precedentes de gases de efeito estufa na atmosfera. Se continuarmos a usar energia como fizemos no passado, vamos superar a objetivo internacionalmente acordo de limitar o aquecimento a menos de 2?C”, alertou. “Não há dúvida de que a ciência é um claro chamado para a rápida transformação da indústria do carvão”, complementou.

Ela sugeriu que a indústria tente se diversificar e abrir seu portfólio para além do carvão. “Algumas das maiores companhias de petróleo, gás e tecnologia energética já estão investindo em renováveis e eu peço a vocês que ainda não começaram a fazer isso que se juntem a eles. Ao diversificar seu portfólio além do carvão, vocês também podem produzir energia limpa que reduza poluição, melhore a saúde pública, aumente a segurança energética e crie novos empregos.”

A realização da cúpula, na sede do Ministério da Economia, foi marcada por protestos de organizações não-governamentais.