Governo exonera diretora de desmatamento e depois alega ‘mal-entendido’
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Governo exonera diretora de desmatamento e depois alega ‘mal-entendido’

A pesquisadora Thelma Krug, diretora do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento, acordou com a notícia de que tinha sido exonerada pela Casa Civil e que o cargo iria para um político do Maranhão; à tarde ministro Sarney Filho pediu anulação da portaria no Diário Oficial

Giovana Girardi

06 Julho 2016 | 19h21

No intervalo de algumas horas, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, exonerou e o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, pediu para desonerar a diretora do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do ministério, a matemática Thelma Krug.

A matemática Thelma Krug, pesquisadora do Inpe, ao ser eleita vice-presidente do IPCC. Divulgação

A matemática Thelma Krug, pesquisadora do Inpe, ao ser eleita vice-presidente do IPCC. Divulgação

No Diário Oficial da União, pela manhã, chegou a ser nomeado seu substituto, José da Silva Gasparinho Neto, um político do Maranhão que já foi secretário parlamentar do deputado Albérico Filho (PMDB-MA), funcionário da Empresa Maranhense de Administração e Recursos Humanos e Negócios Públicos e da Agência Nacional de Transportes Terrestres, mas aparentemente não tem nenhuma ligação com meio ambiente.

Thelma, por sua vez, é especializada em estatísticas espaciais e sensoriamento remoto e foi uma das responsáveis, no governo Lula, pela implementação do sistema de monitoramento por satélite da Amazônia – o Prodes – que aponta a taxa anual de desmatamento da floresta. Ela também investiga as relações da perda da floresta com mudanças climáticas e foi eleita no final do ano passado vice-presidente do IPCC, o painel científico sobre mudanças climáticas da ONU.


No cargo atual, que Thelma assumiu no começo de março deste ano, estava trabalhando na revisão dos planos de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia e no Cerrado e na estratégia REDD+ (redução das emissões por desmatamento e degradação florestal).

Pelo que o Estado apurou, o posto estava entre várias outras DAS (Direção e Assessoramento Superiores) que estão sendo negociadas na distribuição de cargos da nova gestão federal, mas a troca teria sido recusada pelo secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Everton Lucero, a quem o departamento de desmatamento é vinculado. Ele assumiu o posto no final da gestão Izabella Teixeira, um pouco depois de Thelma, e teria pedido a Sarney Filho para reverter o processo.

Por meio de nota, o ministério disse que a exoneração foi um “mal-entendido de cunho administrativo” e que já foi pedida a anulação à Casa Civil. “O ministro Sarney Filho considera a colaboração da senhora Thelma Krug muito importante para este ministério, e, por isso mesmo, foi uma das primeiras pessoas da gestão anterior que convidou a permanecer no cargo”, afirma a nota.