Filipino completa 9º dia de greve de fome

Filipino completa 9º dia de greve de fome

Giovana Girardi

19 Novembro 2013 | 12h22

Entidades entregam mais de 600 mil assinaturas em apoio a Yeb Saño

Enquanto as negociações na COP do Clima, em Varsóvia, avançam a passos lentíssimos — e com alguns retrocessos, como as reduções de metas de Austrália e Japão –, o diplamata filipino Yeb Saño entrou hoje em seu nono dia de greve de fome. Mantendo-se apenas com água e de vez em quando chá, ele não come nada desde o primeiro dia da conferência tanto para homenagear as vitimas do tufão Haiyan em seu país quanto para apelar que os países avancem em direção a um acordo ambicioso.

É a primeira vez na história das conferências do clima que um negociador oficial toma essa atitude. Foi a primeira vez também que um delegado de uma das partes é o autor de uma petição de abaixo-assinado online para pedir apoio à causa.

Até agora, apesar de ter recebido a solidariedade da maior parte dos país, porém, ele não viu grandes movimentos nessa direção. Bem mais magro e aparentando fraqueza, ele recebeu hoje o apoio de organizações de petições online, como Avaaz e 350.org, que entregaram mais de 600 mil assinaturas de apoio aos filipinos e demandando progresso em Varsóvia.


“As mudanças climáticas já estão afetando vidas, então não temos mais tempo a esperar”, disse.

Saño afirmou que está se sentindo bem, que está perfeitamente funcional e que vai continuar acompanhando as negociações e manter o jejum até haja “um resultado significativo” da conferência. “Por resultado significativo eu quero dizer ter referências específicas de certos assuntos que precisam ser resolvidos em Varsóvia, inclusive um mecanismo internacional de perdas e danos.”

Ele se refere à discussão em torno de um método de compensar o países que estão além da possibilidade de passarem por uma adaptação e já estão sendo afetados pelas mudanças climáticas. Essa ideia foi aprovada em princípio no ano passado e precisa ganhar corpo agora.

O negociador também disse que outra questão necessária é definir o financimento para ajudar os países em desenvolvimento a lidar com as mudanças climáticas.