Ex-chefe do clima da ONU se candidata à secretaria-geral da organização

Ex-chefe do clima da ONU se candidata à secretaria-geral da organização

Giovana Girardi

07 Julho 2016 | 19h29

O governo da Costa Rica lançou nesta quinta-feira, 7, a candidatura de Christiana Figueres, até então secretária executiva da Convenção das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC), para a secretaria-geral da ONU, cargo hoje ocupado pelo sul-coreano Ban Ki-moon.

Crédito: Cortesia UNFCCC

Crédito: Cortesia UNFCCC

A diplomata ganhou notoriedade em todo o mundo ao liderar o processo que culminou com a adoção, em dezembro do ano passado, do Acordo de Paris, por meio do qual 195 nações se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa a fim de segurar o aquecimento do planeta para que ele fique “bem abaixo” de 2°C até 2100.

A costa-riquenha tomou posse na UNFCCC logo depois da desastrosa Conferência do Clima de Copenhague, em 2009, que deveria naquela ocasião ter produzido esse acordo. Mas os países não conseguiram se entender, velhas divergências prevaleceram e Copenhague entrou para a história como maior fiasco climático.

Christiana assumiu o leme das negociações num clima de desconfiança e ceticismo sobre se o mundo seria de fato capaz de tomar uma decisão unânime sobre um tema com tantas implicações econômicas, sociais, ambientais e nas relações entre os países. Seis anos depois, em um cenário muito mais propício, o acordo foi fechado em Paris. Na UNFCCC, ela será sucedida por Patricia Espinosa, embaixadora do México na Alemanha.

Ao lançar a candidatura de Christiana, o presidente da Costa Rica, Luis Guillermo Solís, disse que a ONU e o mundo “precisam de um secretário-geral que seja um construtor de pontes, que possa ouvir e consultar, que possa ajudar a resolver disputas, construir acordos e antecipar problemas”. Segundo ele, sua conterrânea tem provado ser essa pessoa.

“Num momento em que a ONU enfrenta grandes desafios, tanto dentro como fora da organização, ela é a candidata que pode ajudar o corpo multilateral mais relevante do mundo a recuperar sua posição perante as pessoas do mundo – as pessoas para as quais ela foi criada para proteger e defender”, continuou.

Em sua página no Facebook, Christiana declarou o que parece ser o seu lema: “impossível não é um fato, é uma atitude”. E lembrou o sucesso da conferência do clima. “O Acordo de Paris não foi um acidente, mas estratégia e atitude. Foi o ponto culminante de seis anos de paciência reconstruindo um sistema quebrado que tinha perdido toda confiança e convicção para um capaz de se comprometer e ter ambição. Foi a compreensão coletiva de que todos seríamos perdedores se não encontrássemos uma maneira de vencer juntos. Foi a colheita de anos de escuta atenta que permitiram que o difícil terreno comum surgisse”, disse.

Ela defendeu que esse processo possa servir de modelo. “Paris pode ser uma anomalia ou pode se tornar a norma para o multilateralismo no século 21. Nós temos de assegurar que seja o último, para que possamos reconstruir a confiança do mundo na habilidade da ONU e de seus estados-membros a trabalhar juntos e resolver os problemas mais difíceis do nosso tempo.”

Eleição. Se eleita, Christiana Figueres será a primeira mulher e a segunda pessoa da América Latina a ocupar o cargo. Até agora, pelo menos outras 11 pessoas foram indicadas para a posição: seis homens e cinco mulheres. São nomes como Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia e chefe do Programa de Desenvolvimento da ONU; António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-chefe da ONU para refugiados; e o ex-ministro das Relações Exteriores da Croácia, Vesna Pusic. Há mais uma latino-americana, Susana Malcorra, ministra das Relações Exteriores da Argentina.

Em seus 70 anos de história, a ONU teve oito secretários-gerais, todos homens.