Brasil quer evitar menção negativa a biocombustíveis no IPCC

Giovana Girardi

24 Março 2014 | 09h37

O governo brasileiro quer evitar menções negativas à produção de biocombustíveis na segunda parte do relatório do IPCC, cujo Sumário para Formuladores de Políticas” será discutido ao longo desta semana por cientistas e políticos em Yokohama, Japão.

No texto do rascunho do sumário que vazou na Internet há algus meses, os cientistas comentam, com alto grau de confiança, que “o aumento do cultivo de culturas de bioenergia pode representar riscos para os ecossistemas e a biodiversidade, embora as contribuições da energia de biomassa para a mitigação possam reduzir os riscos relacionados com o clima”.

O alerta é feito em um tópico que discute ferramentas que podem tanto funcionar para a mitigação dos gases de efeito estufa quanto para a adaptação. De acordo com o painel de cientistas, ainda faltam maneiras de gerir melhor essas ferramentas.


Para o governo brasileiro, o tom negativo é talvez o ponto mais delicado do novo relatório, que em geral foi visto como um texto bom, que visa reduzir conflitos. “Nosso País tem potencial econômico para os biocombustíveis e aqui não há competição com alimentos”, disse ao Estado Mariana Egler, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

Para José Domingos Gonzalez Miguez, também do MMA, trata-se de um problema local da Europa — Alemanha e Holanda estão enfrentando problemas com o plantio de óleo de canola –, o que não refletiria a situação do Brasil. “Não dá para colocar uma questão local como global. Cana ocupa 7% da área cultivável no Brasil. Não existe esse risco”, diz. “Mas se isso ficar no relatório pode passar uma mensagem de que estamos fazendo alguma coisa errada, quando não estamos.”

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