Brasil lança campanha na Olimpíada por santuário de baleias

Brasil lança campanha na Olimpíada por santuário de baleias

País tenta conseguir apoio de turistas de outros países à proposta que será votada em outubro pela Comissão Baleeira Internacional. O governo sugere que as pessoas se manifestem nas redes sociais com a hashtag #santuarioeuapoio

Giovana Girardi

18 Agosto 2016 | 16h08

Baleia jubarte, em Abrolhos, na Bahia. Espécie é uma das que poderiam ser beneficiadas com o santuário. Crédito: Divulgação / Instituto Baleia Jubarte

Baleia jubarte, em Abrolhos, na Bahia. Espécie é uma das que poderiam ser beneficiadas com o santuário. Crédito: Divulgação / Instituto Baleia Jubarte

No embalo da abertura da Olimpíada, que enalteceu a natureza brasileira e alertou para os riscos que ela corre, o Ministério do Meio Ambiente aproveita o fim do evento para tentar angariar apoio para uma das principais batalhas brasileiras nesse setor no âmbito internacional: a tentativa de criar o Santuário de Baleias do Atlântico Sul.

No final da tarde desta quinta-feira, 18, o ministro Sarney Filho lança na Casa Brasil, no Rio, a campanha pela criação do santuário. A proposta será julgada na reunião anual da Comissão Internacional Baleeira (CIB), que será realizada entre 20 e 28 de outubro em Portoroz, na Eslovênia. Se aprovada, permitirá uma proteção extra a pelo menos 51 espécies de cetáceos que habitam as águas do Atlântico Sul.

santuario


Seis delas (azul, fin, sei, minke-antártica, jubarte e franca) são migratórias. Elas se alimentam nos oceanos Antártico e Subantártico durante o verão e se reproduzem em águas tropicais, subtropicais e temperadas no inverno e primavera. Outras espécies de destaque que também serão protegidas pelo santuário são: cachalote, bryde e pigmeia. Veja a seguir galeria com algumas dessas espécies.

Não é de hoje que o Brasil, juntamente com Argentina e Uruguai, defende o projeto. Mas lá se vão 15 anos de tentativas frustradas por países que têm interesse em retomar a autorização de caça no mundo, como Japão e Noruega. Desde 1985 vigora uma moratória sobre a caça comercial, implementada depois que se constatou que a maior parte das espécies estava em risco de extinção.

Mas outros artifícios, como a pesca científica, além de perigos trazidos pela captura acidental em redes de pesca, poluição sonora (que desorienta os animais bastante dependentes de sonar), colisões com navios e as mudanças climáticas ainda ameaçam esses animais. Daí a idea de se criar um santuário para aumentar a proteção sobre elas.

Segundo dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente, calcula-se que no século 20 cerca de 2,9 milhões de baleias foram mortas em todo o mundo. Pelo menos 70% delas foram caçadas no hemisfério Sul.

A proposta, que também foi encampada por África do Sul e, neste ano, pelo Gabão, já foi encaminhada à CIB. Mas a ideia do governo brasileiro é conseguir apoio popular com a campanha lançada nesta tarde. “Precisamos não só do trabalho de diplomacia que os ministros Sarney e José Serra (Itamaraty) estão fazendo, mas que as sociedades locais demonstrem ser favoráveis ao santuário para que os governos se sintam motivados a apoiar a proposta”, disse ao Estado Ugo Vercillo, diretor do Departamento de Espécies do Ministério do Meio Ambiente.

Mapa feito pelo Itamaraty mostra a área proposta para o santuário e os países proponentes

Mapa feito pelo Itamaraty mostra a área proposta para o santuário e os países proponentes

Para ser aprovada na CIB, o santuário precisa de 75% de votos favoráveis. O número exato varia, porque são considerados os países presentes na votação. Na última reunião, em 2014, foi o momento em que a proposta esteve mais próxima de passar. Foram obtidos 69% dos votos – faltaram apenas 4. São esses que o Brasil tenta agora reverter. Além dos proponentes oficiais, a criação do santuário também é defendida por governos de 12 países africanos e caribenhos e por aliados tradicionais aliados na conservação das baleias, como Austrália, Reino Unido e México.

De acordo com Vercillo, é preciso também garantir que os países que votam com o Brasil estejam na reunião. É o caso de Portugal, Índia, Bulgária, que votaram a favor em outras reuniões, mas faltaram da última. Com o apoio oficial do Gabão, eles esperam conseguir angariar Camarões, Costa do Marfim, Marrocos e Congo. “Precisamos de quatro, cinco votos novos, então estamos trabalhando para ter pelo menos 10”, disse.

Neste ano, os proponentes já conseguiram um avanço importante. No final de junho, o comitê científico da CIB deu um parecer positivo ao santuário, o que pode ajudar na votação.

Em folheto que será distribuído hoje a quem passar pela Casa Brasil e também no hotsite da campanha (santuariodebaleias.mma.gov.br), que entra no ar até o final do dia, o Brasil pede para as pessoas se manifestaram nas redes sociais com #santuarioeuapoio.

No texto, eles lembram que “os santuários de baleias têm o potencial de aprimorar atividades socialmente importantes como pesquisa, observação de baleias e educação, particularmente nos países em desenvolvimento”.

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