Brasil adere a desafio mundial de restauração de florestas

Brasil adere a desafio mundial de restauração de florestas

Durante a Conferência de Biodiversidade da ONU, Brasil anunciou a adesão ao Desafio de Bonn e à Iniciativa 20x20 com a meta de restaurar 12 milhões de hectares de florestas e implementar 5 Mha de sistemas com integração entre lavoura, pecuária e floresta, ambos até 2030, e recuperar mais 5 Mha de pastagens degradadas até 2020

Giovana Girardi

03 Dezembro 2016 | 22h24

O Brasil aderiu neste sábado, 4, a dois compromissos internacionais de restauração de florestas e promete restaurar ou incrementar o uso de 22 milhões de hectares no País.

Os ministros Sarney Filho (Ambiente) e Blairo Maggi (Agricultura) anunciaram, na 13.ª Conferência da Biodiversidade da ONU, que ocorre em Cancún (México) a participação do Brasil no chamado Desafio de Bonn, com uma meta de restaurar, reflorestar e promover a recuperação natural de 12 milhões de hectares (Mha) até 2030.

Ministro Sarney Filho (Ambiente) anuncia participação do Brasil ao Desafio de Bonn e se compromete a restaurar 12 Mha de florestas até 2030. Crédito: Aurelio Padovezi

Ministro Sarney Filho (Ambiente) anuncia participação do Brasil ao Desafio de Bonn e se compromete a restaurar 12 Mha de florestas até 2030. Crédito: Aurelio Padovezi

O País também aderiu à Iniciativa 20×20 com a promessa de implementar 5 Mha de sistemas com a integração entre lavoura, pecuária e floresta (ILPF) até 2030 e recuperar outros 5 Mha de pastagens degradadas até 2020.

Os novos compromissos internacionais repetem promessas que o Brasil já tinha feito no ano passado junto ao Acordo de Paris e no Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC).

Para o acordo internacional de combate ao aquecimento global, o Brasil prometeu reduzir 37% das emissões até 2020 e 43% até 2030. Para isso indicou ações que poderia tomar para alcançar isso. Uma delas era justamente restaurar 12 Mha, recuperar 15 Mha de pastagens degradadas e alcançar 5 Mha de ILPF. Os dois números mostrados agora para ILPF e pastagem degradada vêm do ABC.

Desde então, porém, se questiona como isso vai ser obtido. Essas ações são caras e ainda não foram equacionados mecanismos para pagar a conta. A expectativa é que a adesão aos desafios internacionais pode ajudar nisso.

“A adesão do Brasil mostra que os dois ministérios estão alinhados e atuando juntos na promoção do desenvolvimento sustentável do Brasil, como já ocorreu na ratificação do Acordo de Paris sobre a mudança do clima”, disse Sarney Filho em comunicado à imprensa.

“O engajamento do Brasil ao Bonn Challenge e à Iniciativa 20×20 é bem-vindo pois atrai novos investimentos e reforça as ações que o Brasil já vem desenvolvendo para adaptar sua agricultura à mudança do clima”, complementou Maggi.

O Desafio de Bonn (ou Bonn Challenge), criado em 2011, é um esforço internacional não vinculante que estabeleceu como meta a restauração de 150 milhões de hectares de florestas degradadas em todo o mundo até 2020. Vários países, encabeçados pela Alemanha, se comprometeram com isso.

Durante o congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em Honolulu, em setembro, foi apresentado um balanço que mostrou que já existem pelo menos 113 milhões de hectares em andamento ou ao menos empenhados para isso. São compromissos de 36 países, organizações e empresas. Por conta do sucesso, foi criado um novo desafio, de alcançar outros 200 Mha até 2030, totalizando 350 Mha até lá.

Já a Iniciativa 20×20 é um projeto mais local, capitaneado pelo World Resources Institute (WRI), de restaurar 20 milhões de hectares na América Latina até 2020. Ele é uma espécie de apoio ao Desafio de Bonn, mas tem também outras metas, como plantio direto e boas práticas de agricultura, como a integração entre produções (como o ILPF) e restauração de pastagens para intensificação da pecuária.

O Brasil até então estava meio reticente a entrar no compromisso internacional, apesar de, internamente, ter suas meta próprias de restauração junto ao Acordo de Paris. Agora isso, enfim, vira compromisso internacional.

O Desafio de Bonn, defendem ambientalistas, pode ajudar a viabilizar a meta dos 12 milhões. “Vira um veículo de implementação, uma vez que dá a uma proposta hoje nacional uma visibilidade global ao fazer parte de um compromisso maior”, defende Miguel Calmon, gerente de Restauração da Paisagem do Programa Global de Florestas e Mudanças Climáticas da IUCN, que dá suporte ao desafio.

“O compromisso brasileiro manda um sinal importante para a comunidade internacional. Ao fazer isso, o País assume um papel de liderança global em restauração, contribuindo para o desafio climático e a realização das Metas de Aichi (de proteção à biodiversidade)”, afirma Rachel Biderman, diretora-executiva do WRI Brasil.

“Há um enorme potencial na restauração com fins ecológicos e econômicos – e o Brasil tem competência tecnológica, conhecimento em silvicultura, abundância de matéria-prima de sementes, competitividade e excelência empresarial. Caminhamos para uma nova economia florestal baseada em restauração em larga escala, e o potencial para a geração de empregos nesse setor é imenso”, diz.