Após anúncio de mudança da Fundação Florestal, diretor pede demissão

Paulo Almeida pediu demissão na sexta-feira, pouco mais de dez dias depois que foi comunicado que a Fundação Florestal terá de se mudar do Horto para a sede da Secretaria de Meio Ambiente; é a terceira grande alteração na gestão ambiental do Estado em menos de duas semanas

Giovana Girardi

10 Outubro 2016 | 17h51

Em meio a uma série de reformulações que o secretário estadual de Meio Ambiente, Ricardo Salles, está fazendo na gestão ambiental de São Paulo, na sexta-feira, 7, o diretor executivo da Fundação Florestal, Paulo Almeida, pediu demissão do cargo. O novo nome ainda não foi anunciado.

A informação foi confirmada nesta segunda-feira, 10, por Salles ao Estado. Segundo ele, Almeida, que estava no cargo desde abril deste ano, a convite de sua antecessora, Patrícia Iglecias, “é um bom profissional, mas não é um gestor”, característica que Salles diz estar em falta nas cadeiras da secretaria.

“A Fundação Florestal precisa de um gestor, ele é professor e entendeu que não teria o perfil que estamos procurando”, afirmou o secretário. Almeida foi procurado pelo Estado, mas disse apenas que não havia nada oficial ainda e que preferia não se pronunciar.

Formado em direito, Almeida é professor do Programa de Pós graduação em Sustentabilidade e no curso de Bacharelado em Gestão Ambiental na USP Leste.


Mudanças. O pedido ocorreu dez dias depois de ser anunciado que toda a equipe da Fundação Florestal terá de se mudar do prédio localizado no Horto Florestal para a sede da secretaria, em Pinheiros. Na ocasião foi dito também que a parte administrativa do Instituto Florestal, que também fica no Horto, teria de se mudar. Mas esta operação ainda está sendo avaliada, disse Salles. Os dois órgãos são responsáveis pela gestão das unidades de conservação do Estado.

Naquele momento, o secretário disse que não havia razão para as funções administrativas ficarem longe da sede da secretaria e que a mudança traria agilidade para os trabalhos.

Na semana passada, Salles promoveu mudanças também na Câmara de Compensação Ambiental, que gera os recursos pagos por empreendimentos como forma de compensar o impacto ambiental de suas obras. O dinheiro tem de, obrigatoriamente ser usado em unidades de conservação.

A troca dos representantes da sociedade civil foi a que mais chamou atenção. No lugar do pesquisador Ricardo Rodrigues e da ambientalista Ana Luisa da Riva, foram colocados dois ruralistas: o advogado Francisco de Godoy Bueno, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e amigo pessoal do novo secretário de Meio Ambiente, e o agrônomo Evaristo de Miranda, da Embrapa.

Salles deu a mesma justificativa para a mudança que deu agora para a saída de Almeida. “Já temos um corpo técnico extremamente qualificado, com competências complementares. Já temos conhecimento sobre unidades de conservação, licenciamento, impacto ambiental. Temos um conhecimento técnico farto, mas o que não temos na secretaria são gestores”, disse. “E não tem nada pior para uma boa ideia do que uma má gestão. Na medida em que faz uma gestão ineficiente, a boa ideia se perde. Queremos agregar o conhecimento técnico com boa gestão.”

Ele afirmou que ainda não decidiu quem vai ocupar o cargo, mas que quer um nome que “tenha uma visão de gestão de floresta, de campo, que tenha alguma experiência no setor privado, não só acadêmico”. O ideal, segundo Salles, é que seja alguém de associação de classe, “com noção de cobrança da sociedade, de que existe premência do tempo, de restrições orçamentárias, que não são questões filosóficas, mas do dia a dia.”