Alckmin confirma economista ligado a ruralistas como diretor da Fundação Florestal

Alckmin confirma economista ligado a ruralistas como diretor da Fundação Florestal

Foi designado para o cargo o economista Eduardo Soares de Camargo, que já foi consultor e diretor da Associação Brasileira do Agronegócio e diretor-executivo da Sociedade Rural Brasileira

Giovana Girardi

20 Outubro 2016 | 18h35

Eduardo Soares de Camargo, em foto de rede social

Eduardo Soares de Camargo, em foto de rede social

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) designou nesta quinta-feira, 20, o economista Eduardo Soares de Camargo, para a diretoria-executiva da Fundação Florestal (FF). A decisão, que havia sido antecipada por este blog no último sábado, foi publicada no Diário Oficial do Estado.

Camargo é mais uma pessoa ligada a ruralistas a assumir um cargo na Secretaria de Meio Ambiente. Ele foi consultor e diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e diretor-executivo da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Seu nome foi indicado pelo Conselho Curador da Fundação Florestal como favorito em uma lista tríplice que incluía também Diogo Ticly e Roberto Germanos.

Os três nomes foram indicados pelo secretário de Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ticly atuou na Secretaria Particular de Alckmin quando Salles foi o secretário. Foi também candidato a deputado estadual em 2010, pelo PP, partido ao qual Salles também é filiado. Já Germanos é advogado e faz parte do Movimento Endireita Brasil, fundado por Salles. Os dois são hoje assessores do gabinete do secretário.

Esta será a quarta pessoa a assumir o cargo de diretor da FF nos últimos dois anos. O órgão é responsável pela gestão das unidades de conservação do Estado, como os parques da Serra do Mar, de
Carlos Botelho, Intervales, Petar, onde estão os maiores remanescentes de Mata Atlântica do Estado. Essas unidades já há alguns anos vêm enfrentado problemas.

Há duas semanas, o então diretor, Paulo Almeida, pediu demissão do cargo. Em entrevista ao Estado no dia 10 deste mês, Salles disse que Almeida era um bom profissional, mas não um gestor, característica que Salles diz estar em falta nas cadeiras da secretaria.

“A Fundação Florestal precisa de um gestor, ele é professor e entendeu que não teria o perfil que estamos procurando”, afirmou o secretário. Almeida foi procurado pelo Estado, mas não quis se pronunciar. Formado em direito, Almeida é professor do Programa de Pós graduação em Sustentabilidade e no curso de Bacharelado em Gestão Ambiental na USP Leste.

Em entrevista ao Estado no sábado (15), um dia depois de ter seu nome indicado pelo conselho da FF, Camargo disse que conhecia Salles havia “muitos anos”. O secretário foi diretor jurídico da SRB no período em que Camargo era o diretor executivo da instituição.

Disse que vai buscar incrementar parcerias e desenvolver a fundação. “Hoje há um viés muito ideológico e embora tenhamos muito técnicos de altíssima competência, o secretário quer uma articulação maior, quer desenvolver, quer tirar a fundação da zona de conforto, que às vezes mais trava mais do que empreende. Ele quer que os técnicos opinem, mas façam acontecer.”

Por parcerias ele se referiu aos processos de concessão das unidades de conservação para a iniciativa privada.”Vamos ouvir a parte técnica, respeitar as regras, mas, no que for possível fazer parcerias, vamos fazer.”

Questionado sobre qual sua experiência com ambiente e se não haveria conflito de interesses com o fato de ele ter trabalhado por cerca de 13 anos com ruralistas, disse que terá o desafio de “mostrar para a sociedade que os maiores defensores do ambiente são os produtores rurais”. “Essa imagem antiga de desmatador, explorador, a sociedade resiste em entender que mudou, mas acho que temos de mostrar o trabalho”, afirmou.

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