Al Gore ‘salva’ evento sobre clima cancelado abruptamente nos EUA
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Al Gore ‘salva’ evento sobre clima cancelado abruptamente nos EUA

Dias antes da posse de Trump, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) cancelou a Cúpula sobre Clima e Saúde, que vinha sendo planejada há meses para ocorrer em fevereiro; a especulação é que a decisão foi para evitar que o próprio presidente tomasse a decisão

Giovana Girardi

15 Fevereiro 2017 | 20h19

Homem lamenta perda de toda a sua produção em onda de calor no verão de 2003 que matou pelo menos 1.200 pessoas na Índia. REUTERS

Homem lamenta perda de toda a sua produção em onda de calor no verão de 2003 que matou pelo menos 1.200 pessoas na Índia. REUTERS

Depois de abruptamente e sem nenhuma explicação o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos ter cancelado uma conferência sobre mudanças climáticas e o impacto à saúde, o ex-vice-presidente Al Gore resolveu salvar o dia e realizá-la mesmo assim, nesta quinta-feira (16), em Atlanta, mesmo local onde seria realizado o evento original, mas em uma versão mais enxuta.

O cancelamento da Cúpula sobre Clima e Saúde por parte do CDC ocorreu pouco antes da posse de Trump, mas apesar de a agência não ter oferecido uma justificativa e ter dito somente que tentaria reagendar o evento até o final do ano, fontes na imprensa americana especularam que isso teria ocorrido como uma prevenção diante do risco de o próprio novo presidente atropelar o evento.

“Às vezes, a agência está sujeita a pressões políticas externas, às vezes a agência se autocensura ou afasta-se antecipadamente de certas questões”, disse Howard Frumkin, ex-diretor do Centro para Saúde Ambiental do CDC e professor de saúde ambiental da Escola de Saúde Pública da Universidade de Washington, em entrevista ao site EENews, que foi o primeiro a dar a notícia. “A mudança climática tem sido essa questão historicamente”, continuou.

“Alguns podem argumentar que eles deveriam ter dito: ‘Vamos fazer isso e eles que nos digam não.’ Mas essa foi a decisão que eles tomaram. Devemos pensar nisso como um retiro estratégico”, comentou Georges Benjamin, diretor executivo da Associação Americana de Saúde Pública (APHA), ao Washington Post.

De fato, desde que assumiu Trump vem desmantelando políticas climáticas. Mas logo que o cancelamento veio à tona, já depois da posse, Al Gore, juntamente com a APHA, o Instituto de Saúde Global de Harvard e o Climate Reality Project, entre outros, decidiram organizar um evento paralelo.

“Hoje enfrentamos um clima político desafiador, mas a crise climática não deve ser política. Não é apenas a maior crise existencial que enfrentamos: ela também está causando uma emergência de saúde global, onde as apostas são de vida ou morte”, disse Al Gore em comunicado à imprensa.

“Os profissionais de saúde precisam urgentemente da melhor ciência para proteger o público, e a ciência do clima tem implicações cada vez mais críticas para o seu trabalho diário”, continuou Gore. “Com dias cada vez mais quentes, que exacerbam a proliferação do vírus Zika e outras ameaças à saúde pública, não podemos perder tempo.”

Os impactos à saúde são provavelmente as consequências mais diretas e rápidas que os seres humanos vão sentir das mudanças climáticas. E já estão sentido, como revelam as mortes por ondas de calor, por exemplo, ou pela expansão de mosquitos transmissores de doenças, que encontram mais áreas favoráveis para eles.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde apontam que entre 2030 e 2050, as mudanças climáticas poderão causar cerca de 250 mil mortes adicionais por ano como resultado de malnutrição, malária, diarreia e estresse térmico.

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