A culpa de todos nós

Giovana Girardi

27 Setembro 2013 | 21h45

“Ainda é nossa culpa.” Esse foi o título que a revista Economist usou em um post sobre o novo relatório do IPCC. É tão tão bom que me inspirou a escrever mais um pouquinho sobre mudanças climáticas, apesar do dia longuíssimo, que começou muito cedo por causa do fuso horário de Estocolmo, onde foi feito o anúncio.

Não adianta fingir que a ciência não está dizendo nada. Ainda é nossa culpa.

Não adianta ter ignorado os dados do relatório anterior, de 2007, e não ter chegado a um acordo global para a redução das emissões na Conferência do Clima da ONU em Copenhague. Ainda é nossa culpa.

Os cientistas vieram com mais estudos, mais observações, modelos climáticos muito mais sofisticados, amplos e precisos e aumentaram o grau de certeza de que a influência humana é a causa dominante do aquecimento observado desde 1950. Em 2007 eles achavam que era muito provável (90% de certeza). Hoje são taxativos: é extremamente provável (95% de certeza). Ainda é nossa culpa.

“O aquecimento do sistema climático é inequívoco, e desde os anos 1950, muitas das mudanças observadas não têm precedentes em décadas a milênios”, afirmam os cientistas.

É hora de sair do estágio de negação e aceitar essa culpa. Se perdoar, talvez, mas andar para frente, começar a mudar. E já.

“Emissões continuadas de gases de efeito estufa vão causar mais aquecimento e mudanças em todos os componentes do sistema climático. Limitar a mudança climática vai requerer reduções de emissões substanciais e sustentadas”, declara o painel. Substanciais quer dizer algo como uns 80%. E sustentada quer dizer praticamente permanente. Não pode diminuir um pouco e depois voltar porque o sistema climático é lento. “Tem de ser uma mudança no funcionamento da nossa sociedade”, vaticina Carlos Nobre, um dos principais climatologistas do País.

A ciência aumentou as certezas e a urgência, mas ainda diz que dá tempo, com mudanças profundas, de ficar nos míticos 2°C a mais de temperatura. Ainda é nossa culpa.