Desertos Alimentares

Desertos Alimentares

Alessandra Luglio

14 Junho 2017 | 14h54

Algumas semanas atrás, fui convidada por alunos da FGV para assistir à uma apresentação sobre Desertos Alimentares de alunos da Formação Integrada para a Sustentabilidade. Fiquei extremamente grata e encantada com o projeto e pedi para eles explicarem um pouco mais, assim posso dividir com vocês!

Vejam o texto abaixo sobre o projeto desenvolvido e não deixem de acessar o site desertosalimentares.com.br que é o produto final desse trabalho!

“A Formação Integrada para a Sustentabilidade (FIS) é uma disciplina eletiva da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) que objetiva promover uma estrutura e um processo formativo inovadores, os quais atendam às demandas de uma educação transformadora voltada à sustentabilidade. Dessa forma, pretende-se instigar mudanças no paradigma da percepção de educantes e aprendentes.


Na disciplina, a cada semestre, é apresentado um desafio aos alunos de graduação. No primeiro semestre de 2017, em sua 14ª edição, o tema do FIS foi “desertos alimentares”, fenômeno que diz respeito à ausência de alimentos que contribuam para a saúde e bem-estar na alimentação das pessoas, a partir da falta de informação, renda, tempo e distância dos locais que ofereçam alimentos in natura e minimamente processados. Inspirados por essa problemática, os alunos foram desafiados a olhar para a complexidade, em torno desses desertos, de maneira a construir uma abordagem lúdica que despertasse o público em geral para essa questão. Assim, foi criado um mosaico digital e interativo o qual revela a situação dos desertos alimentares, na cidade de São Paulo, provocando reflexão sobre suas respectivas existências e como afetam indivíduos, relações, políticas públicas e negócios.

Ao longo de sua trajetória, o grupo Oásis, formado por 17 alunos dos cursos de Administração Pública e de Empresas da FGV, percebeu que são vários os atores e componentes dos desertos alimentares. Eles variam entre os mais conhecidos e facilmente identificáveis, como a Publicidade, ator extremamente presente no cotidiano das pessoas, aos menos reconhecidos e elucidados pela população, como o caminho percorrido pelo alimento Do Campo à Mesa, desde sua produção, distribuição e disposição no ponto de venda até o  consumo. O grupo entendeu que Relações Urbanas, tais como a pressa, a rotina de almoçar com o celular do lado e o vício à cafeína – para aguentar o ritmo urbano – também desempenham um papel importante, na formação dos desertos alimentares.

Outro fator que assola o meio urbano é a Indústria do Saudável, ou seja, toda a questão relacionada a padrões estéticos de corpo, a indústria focada no “sem glúten”, “sem lactose”, entre outros. A Ilusão da Escolha não podia ser deixada de lado e vincula-se às decisões de consumo, que não levam em conta informações importantes escondidas por trás da linguagem indecifrável das tabelas nutricionais. A Insegurança Alimentar e Nutricional é outro elemento que faz parte do quadro, no qual as pessoas não têm acesso físico e econômico a alimentos nutritivos e em quantidade suficiente, sem comprometer o atendimento a outras necessidades essenciais.

A temática da Cultura Alimentar também emerge, em um cenário onde as pessoas têm se afastado dos alimentos tradicionais e das receitas caseiras e se aproximado cada vez mais de uma alimentação industrializada e que não reflete a identidade local e das pessoas que nele vivem. Finalmente, os Vícios Alimentares, não são tratados como vícios reais, apesar de terem um impacto tão forte como o das drogas, criam condições para desertos alimentares, na medida em que os avanços da indústria de alimentos e o crescimento da oferta de produtos ricos em gorduras e açúcares têm um efeito devastador na saúde humana.

Por meio de seu produto final, o site desertosalimentares.com.br, o grupo Oásis objetiva compartilhar, ao menos um pouco, as sensações e os conhecimentos que adquiriram ao longo de seu trajeto”

0 Comentários