Consumo de agrotóxicos no Brasil

Consumo de agrotóxicos no Brasil

Alessandra Luglio

24 Junho 2016 | 10h04

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Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva (INCA) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) o Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas por ano, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante. É assustador saber que a partir de 2008 a taxa de crescimento da importação de princípios ativos para composição de produtos com essa finalidade foi de 400% e a de produtos já formulados foi de 700%.

O modelo atual de cultivo com o uso de agrotóxicos é extremamente prejudicial tanto para a nossa saúde, tema que será discutido em um post específico em breve, quanto para a saúde do nosso planeta. As fiscalizações nas empresas que lidam e comercializam esses materiais mostram sérios problemas no controle de qualidade, rotulagem, formulação e por aí vai…

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Os agrotóxicos são apresentados com uma áurea de salvador da pátria e constroem-se mitos em torno deles, como progresso, geração de emprego, riqueza, preocupação com o meio ambiente e com a fome no país. Porém, esses produtos atingem tanto de maneira direta todos que com ele lidam, seja vendendo, transportando e aplicando, quanto de maneira indireta, contaminando solo, água, ar e quem os consomem através dos alimentos. Deixa-se entendido também que, como é uma prática legal, não há mal em praticá-la e que, sem ela, não há outra forma de produzir. Porém há sim uma forma de produção sustentável, saudável e rentável que se chama agroecologia, onde as características do solo, das plantas e do clima são respeitadas. Onde os pequenos e grandes produtores podem trabalhar em conjunto e compartilham as oportunidades. Onde cultiva-se vida e não morte! Tudo isso parece agressivo, mas é preciso deixar claro que ao envenenarmos nossos alimentos, envenenamos nosso planeta, nossos pratos, nossos corpos, fazendo exatamente o oposto do que seria a função de um alimento natural. Os alimentos deveriam prover nutrição, saúde, vitalidade, energia. Seu cultivo deveria ser sinônimo de sustento, sustentabilidade, saudabilidade e não de doença, poluição e degradação. Junto com os agrotóxicos, é disparada sobre nosso planeta uma nuvem escura que não podemos ver, mas que com certeza cada vez mais vamos sentir na própria pele.